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A boa e a má notícia para o Brasil: "a situação piorou mas não estamos no inferno", diz Giannetti

Para o economista, o lado positivo é que a economia mostrou resiliência ao atravessar uma grave crise sem ir para beira do precipício; mas os sinais de melhora ainda são muito ambíguos e o espaço para aprovação das reformas agora é bem limitado
SÃO PAULO - Fazendo um paralelo com a definição entre tática e estratégia, o economista e escritor Eduardo Giannetti da Fonseca avalia o atual momento do Brasil. Para ele, o cenário de recuperação econômica do País, que vinha sendo desenhado com a mudança de governo, caiu por terra com um risco político de grande magnitude se materializando com a delação de um dos donos da JBS e, com isso, as decisões de longo prazo (as estratégicas) foram interrompidas.

O risco político virou realidade e estamos agora em um momento tático, não há um horizonte de longo prazo. Mas uma boa e má notícia a partir disso, comentou Giannetti, durante palestra de encerramento do evento "Encontro de CEOs Exame", realizado na última terça-feira (8) em São Paulo.

"A boa notícia é que o Brasil conseguiu absorver uma crise política de grandes proporções sem colapsar. A situação piorou mas não estamos no inferno. A equipe econômica continua intacta, há um esforço para que se mantenha a meta fiscal, as contasexternas brasileiras estão muito sólidas, o País não sofre vulnerabilidade externa e há um ciclo de redução de juros que caminha de forma consistente, diferente do que se viu no governo Dilma. A má notícia é que o momento para as reformas ficou muito machucado e prejudicado", comentou.

Para ele, a economia mostrou resiliência ao atravessar uma grave crise sem ir para beira do precipício, como poderia ter ocorrido décadas atrás, mas os sinais de melhora ainda são muito ambíguos e o espaço para aprovação das reformas agora é bem limitado. "Ficou claro que houve um erro de sequenciamento das reformas. Seria melhor se Temer tivesse usado o capital político no começo do mandato. Muito melhor se tivesse tentado aprovar a reforma da Previdência primeiro para depois decidir sobre o teto dos gastos. A discussão da reforma não está totalmente perdida, mas será uma proposta bem menos ambiciosa que a original", avalia.

Embora o quadro otimista tenha sido manchado pela delação, ele acredita que o Brasil tem condição de chegar até a eleição de 2018 com alguns avanços mas muito tímidos. "Não é aquele mesmo cenário que se desenhava antes de maio", comentou.

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