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Criada nos anos 90, "poupança" foi inicialmente alimentada por recursos de gás e petróleo e tem como objetivo garantir aposentadoria a gerações futuras. Nível recorde equivale a 189 mil dólares para cada norueguês.
O fundo soberano norueguês, o maior fundo de investimento do mundo, superou nesta terça-feira (19/09) pela primeira vez a marca de 1 trilhão dólares, segundo o Banco Central da Noruega, a instituição responsável pela administração dos recursos. Para efeito de comparação, o valor quase alcança o Produto Interno Bruto (PIB) do México.
O valor equivale a aproximadamente 189 mil dólares para cada um dos 5,3 milhões de habitantes da Noruega. Criado nos anos 1990, o fundo foi originalmente abastecido com receitas da produção de petróleo e gás do país. ele tem como objetivo garantir aposentadorias às gerações futuras e cobrir outras despesas estatais quando as reservas de petróleo se esgotarem;
Segundo a rede Bloomberg, o valor recorde anunciado hoje é fruto principalmente da desvalorização do dólar e do aquecimento verificado nas bolsas de valores mundo afora. Hoje, o envio de recursos do petróleo perdeu importância, e os valores do fundo soberano são formados principalmente por ações (65,1% do total no segundo trimestre de 2017) e por títulos e bens imóveis.
O fundo tem participações em 9 mil empresas, entre elas Apple, Microsoft e Nestlé. Já os imóveis incluem propriedades em áreas valorizadas de Nova York e Paris, como a Times Square e a avenida Champs-Élysées.
"Acho que ninguém esperava que o fundo chegasse a um trilhão de dólares quando foi feito o primeiro depósito de receitas do petróleo", disse Yngve Slyngstad, CEO do Norges Bank Investment Management, que atua como diretor executivo do fundo.
Em 1996, o fundo recebeu sua primeira injeção de recursos do petróleo, no valor de 300 milhões de dólares. Vinte anos depois, o governo fez o seu primeiro saque do fundo, retirando 781 milhões de dólares. Desde 1998, o fundo tem gerado em média retornos de 5,9% ao ano (ou 4% se a inflação for considerada). Em 2016, os retornos alcançaram 6,9%.
Entre os "rivais” do fundo norueguês estão o fundo governamental de investimentos para pensões do Japão, que alcança 1,3 trilhão de dólares e o governo chinês, que possui reservas de 3 trilhões de dólares em dinheiro.

Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes são mencionados por delatores da J&F. Conversa não traz evidências de irregularidades cometidas por eles e revela plano para arrancar confissões de José Eduardo Cardozo.
Nas últimas gravações apresentadas ao Ministério Público Federal (MPF) por executivos da J&F, os delatores mencionam ao menos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, além do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. A conversa é focada nas negociações para a obtenção do acordo de delação premiada.
A gravação da conversa entre o empresário e dono da J&F (controladora da JBS), Joesley Batista, o diretor da J&F Ricardo Saud e o advogado Francisco de Assis teria ocorrido involuntariamente. O conteúdo dos áudios, que levaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a iniciar uma investigação sobre a suposta omissão de informações dos delatores, começou a circular na imprensa nesta terça-feira (05/09).
No áudio, Saud e Joesley falam sobre uma tentativa de gravar uma conversa de Cardozo para conseguir provas sobre supostas irregularidades cometidas por ministros do STF. Com essa gravação, eles pretendiam conseguir um acordo de delação premiada mais vantajoso.
Saud afirma que uma terceira pessoa, não identificada, teria dito que Cardozo teria cinco ministros do STF nas mãos. "Ele falou que 'cinco ele não tem, não', ele tem... 'ah, só se eles, só se eles contam Lewandowski até hoje', ele falou, falei 'ah, daí eu não sei, não deu nome, não...' Mas se contar Lewandowski pode ser, sim", disse o diretor.
Em seguida, Saud menciona, em tom de deboche, a intimidade entre a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente do STF, Carmen Lúcia. "Achei que os três tavam fazendo suruba, porque ele falou da Carmen Lúcia, (parte inaudível) da Carmen Lúcia que vai lá falar do (parte inaudível) com a Dilma e tal, os três juntos, tal".
Na conversa, aparece ainda o nome do ministro Gilmar Mendes. Saud e Joesley falam de uma briga de algum conhecido com o ministro do STF. "Então vamos esquecer aquele trem da briga do Gilmar e vamos nesses três ministros do Supremo", ressalta o diretor.
As gravações não trazem evidências de supostas irregularidades cometidas por ministros do STF e ficam apenas na especulação em torno dos nomes.
A aproximação com Cardozo chegou a ser feita, mas o ex-ministro fez apenas declarações vagas sobre os magistrados. Ao ser convidado para representar a empresa, ele recusou a proposta de receber honorários de forma irregular, como foi sugerido por Joesley.
Caminho da delação
Além do plano para a gravação de Cardozo, Joesley e Saud conversaram sobre o acordo de delação premiada. O dono da JBS orienta o diretor a se aproximar de um Marcelo, supostamente o ex-assessor de Janot Marcelo Miller, para chegar ao procurador-geral e obter um acordo com melhores benefícios.
"Por isso que eu quero nós dois 100% alinhados com o Marcelo. Nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot", afirma Joesley, e dá a entender que está recebendo a orientação do ex-assessor para alcançar um acordo de delação.
"O Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot", acrescenta o empresário em outro trecho. "Ricardo, nós somos a joia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: Ô, Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos e ele já entendeu isso", afirma.
No final das quase quatro horas de conversa, Saud e Joesley falam sobre a omissão de informações durante os depoimentos após o acordo de delação premiada. "A gente preserva todos os nossos, como chama, consumidores, nosso mercado, nós preservamos todos os supermercados compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos", disse Saud.
O diretor da J&F ainda cita o governador do Paraná, Beto Richa, que teria recebido dinheiro do grupo. "Beto Richa pegou tudo em dinheiro no (ininteligível). Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto, Beto Richa, Colombo".
O acordo firmado entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi criticado por ter concedido impunidade processual aos delatores. Caso a investigação anunciada por Janot confirme que os delatores omitiram informações, eles podem perder os benefícios obtidos. As provas entregues, no entanto, continuam válidas.
O processo de obtenção dos benefícios de delação é questionado no STF pela defesa de Temer. Os executivos da JBS negam irregularidades.
A delação da JBS
As delações de executivos da JBS causaram um terremoto político e colocaram o presidente Michel Temer no centro de um escândalo de corrupção. A bomba foi lançada em 17 de maio, quando foi divulgado um áudio gravado por um dos donos da empresa, Joesley Batista.
Na gravação, Temer daria a Joesley o aval para o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em troca do silêncio deste na prisão. O áudio, gravado em março, fazia parte do acordo de delação premiada firmada por Joesley e seu irmão Wesley Batista com a Procuradoria-Geral da República.
Na mesma ocasião, Temer indicou ainda o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para resolver uma questão da J&F Investimentos, holding que controla a JBS. Posteriormente, Loures foi filmado recebendo uma maleta com 500 mil reais que teriam sido enviados por Joesley.
Durante o encontro com Joesley, Temer agiu com naturalidade. O presidente foi posteriormente acusado de não ter reagido ao tomar conhecimento das ações do empresário para afetar as investigações. Em nota, ele disse que não acreditou na veracidade das declarações de Joesley, que estava sob investigação, argumentando se tratar de um conhecido "falastrão".
A revelação resultou na apresentação de uma denúncia criminal por suspeita de corrupção contra Temer, que acabou sendo rejeitada pela Câmara no início de agosto.
O presidente foi investigado ainda por formação de quadrilha e obstrução da Justiça. Estima-se que Janot apresentará uma segunda denúncia contra Temer antes de deixar o cargo, em 17 de setembro.

Influenciada pelo aumento da informalidade no mercado de trabalho, a taxa de desemprego no Brasil fechou o período de maio a julho deste ano em 12,8%, o que representa uma leve queda em relação ao trimestre encerrado em abril, divulgou o IBGE nesta quinta-feira (31/08).
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e indicam que o país ainda tem 13,3 milhões de desempregados.
No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego havia sido de 13,6%, e houve, portanto, uma queda de 0,8 ponto percentual. A população desocupada caiu 5,1% (menos 721 mil pessoas) frente ao trimestre anterior, quando a desocupação foi estimada em 14 milhões de pessoas.
Segundo o IBGE, os novos postos de trabalho foram gerados, em sua maioria, na informalidade. "O aumento aconteceu, principalmente, entre os empregados sem carteira assinada (mais 468 mil pessoas) e os trabalhadores por conta própria (mais 351 mil pessoas). Já a população com carteira assinada manteve-se estável (33,3 milhões)", aponta o instituto.
Em contrapartida, na comparação com o mesmo trimestre – de maio a julho – do ano anterior, quando havia 11,8 milhões de desempregados, houve um aumento de 12,5% (mais de 1,5 milhão de pessoas), o que representa uma alta de 1,2 ponto percentual na taxa de desocupação.
O contingente de pessoas ocupadas no país em julho foi estimado em 90,7 milhões de pessoas, aumento de 1,6% em relação ao trimestre encerrado em abril (adicional de 1,4 milhão de pessoas). O dado atual não apresenta alteração significativa em relação ao mesmo trimestre de 2016.
A análise do contingente de ocupados, segundo os grupamentos de atividade, do trimestre de maio a julho de 2017 em relação ao trimestre anterior mostrou aumento nas seguintes categorias:
– indústria geral (3,7% ou mais 425 mil pessoas);
– comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,3%, ou mais 226 mil pessoas);
– administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,9% ou mais 592 mil pessoas);
– outros serviços (4,1% ou mais 175 mil pessoas).
Na comparação com o trimestre de maio a julho de 2016, foi observada redução no contingente dos seguintes grupamentos:
– construção (-8,5% ou - 623 mil pessoas);
– agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-8,0% ou - 749 mil pessoas).
E foi verificado um aumento nos grupamentos:
– alojamento e alimentação (15,2% ou mais 683 mil pessoas);
– outros serviços (7,3% ou mais 304 mil pessoas).
O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimado em 2.106 reais no trimestre de maio a julho de 2017, permanecendo estável frente ao trimestre de fevereiro a abril de 2017 (2.111 reais) e também ao mesmo trimestre do ano anterior (2.045 reais).

Líderes dos Brics se reúnem na China para discutir trocas comerciais num contexto global de protecionismo. Para analista, mesmo com crise econômica, Brasil não se reduziu a papel de coadjuvante na aliança.
A cidade de Xiamen, no sudeste chinês, será palco, a partir deste domingo (03/09), da 9ª cúpula dos países do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Entre os principais temas de discussão estão o aumento do comércio entre as nações da aliança num contexto global de protecionismo e o avanço de projetos voltados ao financiamento do desenvolvimento.
"Essas conversas passam tanto por entendimentos no nível bilateral entre os membros do grupo, como pelo reforço dos mecanismos de financiamento construídos pelo próprio Brics, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Acordo Contingente de Reservas [uma espécie de fundo para ajudar países no caso de crises de balanço de pagamentos]", diz Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Columbia, nos EUA.
O NBD, também conhecido como Banco do Brics, foi fundado em 2014 para financiar grandes obras de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável nos países que formam o grupo. Os primeiros projetos – todos na área de energias renováveis e no valor total de cerca de 800 milhões de dólares – foram aprovados em abril do ano passado.
"O futuro do agrupamento talvez passe também pela ideia de 'Brics Plus', quer dizer, eventualmente incluindo nas tratativas outros atores importantes do mundo em desenvolvimento", frisa Troyjo. "Como observadores, nesta cúpula estarão presentes o México, Tailândia, Tajiquistão, Egito e Guiné. Talvez faça sentido no âmbito do banco deixar a porta aberta a novos membros."
O especialista frisa ainda que, no momento em que os EUA se afastam de tratativas comerciais plurilaterais, como o Tratado Transpacífico (TTP) ou Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), os Brics podem reforçar os laços comerciais entre si. Porém, isso depende que a geometria comercial do grupo ganhe outros epicentros que não sejam somente a China.
"Brasil, Rússia e Índia têm atualmente em Pequim seu principal parceiro comercial. Mas, entre os três primeiros, o comércio em si é ínfimo. Há muito no campo de software, farmacêuticos, têxteis e commodities minerais que deveriam catapultar, por exemplo, o comércio entre Nova Déli e Moscou", diz Troyjo. "Na mesma medida, o crescimento exponencial da economia cotidiana abre imensas avenidas de oportunidade para exportações brasileiras de commodities agrícolas e produtos alimentícios mais elaborados."
"China e Índia são fundamentais para Brasil superar a crise"
Alguns especialistas não descartam, ainda, o avanço nas negociações ou até mesmo o anúncio da criação de uma agência de classificação de riscos do Brics, que competiria com instituições tradicionais como Moody's, Standard&Poor's (S&P) e Fitch. Mais do que uma alternativa, a medida se alinha à busca por maior "compliance” por parte das empresas e fundos de investimentos chineses.
"Há ainda no Brasil um certo ceticismo, mas a ideia surgiu sobretudo devido a críticas em Pequim e Moscou que, apesar do deslocamento de poder para a Ásia, as principais instituições [de classificação de risco] continuam sendo dos EUA", diz Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A importância é relativamente pequena, porque uma nova agência precisaria primeiro ganhar credibilidade do mercado. Portanto, o por agora impacto seria mais simbólico."
Stuenkel destaca a divisão clara entre os países do Brics: enquanto China e Índia seguem em ascensão econômica, Brasil, Rússia e África do Sul passam por crises. "Isso certamente dará a Pequim e Nova Déli um peso maior nos debates na cúpula, ou seja, o próprio grupo está se centrando mais na Ásia", conta. Apesar disso, essa situação não fragilizaria o Brics. "Os mercados da China e Índia serão fundamentais para que o Brasil possa superar a crise. E isso vale também para Rússia e África do Sul."
O especialista acredita que o Brasil, por causa da crise econômica e política, não é apenas um coadjuvante no Brics, porque há um reconhecimento dos outros países de que a crise brasileira é temporária. "O país tem um papel um pouco menor em função de Brasília não ter tanto tempo e energia para, de fato, pensar, debater e priorizar a questão do Brics. O grupo é um projeto de longo prazo e a crise temporária não deixa o país marginalizado nesta reunião", explica.
Temer busca investidores chineses para privatizações
Antes de partir para a cúpula em Xiamen, o presidente Michel Temer fez uma visita de Estado a Pequim na sexta-feira e se encontrou com seu homólogo chinês, Xi Jinping, e o premiê Li Keqiang. O principal objetivo das reuniões foi atrair novos investimentos chineses para o país, além de apresentar o conjunto de 57 projetos que deverá ser concedido à iniciativa privada, tais como a venda de empresas públicas, concessão de aeroportos e de linhas de transmissão.
"O Brics, mas sobretudo a China, têm um papel fundamental na retomada da economia brasileira. Os chineses deverão ser os principais investidores nessa próxima rodada de privatizações e concessões do governo e, de certa maneira, isso representa uma nova época na qual entramos", explica Stuenkel. "Não podemos mais pensar em um plano econômico de longo prazo para o Brasil sem levar em consideração o Brics e a China."
O país asiático já é um investidor com crescente presença em vários setores importantes da economia nacional, passando pelo automotivo, petrolífero, máquinas e equipamentos, eletrônico e comunicações e, ainda, o de commodities. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China, o gigante asiático investiu 37,1 bilhões de dólares no país entre 2010 e 2015. A China é ainda o maior parceiro comercial do Brasil, sendo que, em 2016, as trocas bilaterais alcançaram 58,5 bilhões de dólares.
"Creio que continuaremos vendo importantes aquisições de ativos empresariais brasileiros pelos chineses, mas a maioria dos investimentos de mais fôlego deverá aguardar os rumos que o Brasil vai tomar a partir do pleito presidencial de 2018", conta Troyjo. "Assim, a visita de Temer é mais semelhante a 'arar o terreno' do que algo que se possa colher já no ano que vem."

Num país onde muitos se negam a tirar férias e casos de morte no ambiente laboral não são raros, governo pretende limitar horas extras. Mas cresce o temor de que escassez de mão de obra possa abalar economia.
O Japão planeja um novo limite anual de 720 horas de trabalho, algo inicialmente aplaudido num país conhecido pelas extensas cargas laborais. Mas críticos estão apontando para uma série de problemas que a legislação pode causar.
O primeiro deles é que os trabalhadores perderão por ano cerca de 8,5 trilhões de ienes de rendimentos extras – e, no Japão, os salários em grande parte estão estagnados há uma década, muitos trabalhadores dependem de horas extras para completar o orçamento.
O outro resultado não desejado atingirá o lado oposto da equação do emprego – os empregadores, que inevitavelmente vão se deparar com uma escassez drástica de pessoal.
As empresas no Japão já estão lutando contra a falta de mão de obra, um problema provocado por uma população em rápido envelhecimento e famílias com menos filhos. Os casais não estão tendo filhos porque se casam mais tarde e devido aos custos.
"Momento infeliz"
O momento da mudança nos regulamentos sobre horas extras também é infeliz por a economia do Japão mostrar sinais de reaquecimento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4% em um ano, segundo dados do último trimestre – a taxa mais impressionante entre os países do G7. Os maiores ganhos foram no consumo público e nos gastos de negócios. Se esse tipo de crescimento se sustentar, a demanda por empregados vai subir ainda mais.
"O desemprego está em um dos níveis baixos em décadas", diz Richard King, diretor-gerente da filial da empresa britânica de recrutamento Michael Page, lembrando que a taxa atual é de 1,48 vagas para cada candidato.

Pagamento por reconhecimento facial
E a situação só vai piorar. As empresas japonesas estão buscando se expandir, e o país vem se tornando ainda mais atraente como destino turístico, com a aproximação da Copa do Mundo de Rugby e dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
"As multinacionais estão enfrentando uma falta crônica de profissionais bilíngues de qualidade média de quase todos os tipos de trabalhos especializados, e muitas empresas japonesas também enfrentam dificuldades para segurar profissionais de qualidade em meio de carreira", diz King. "Esta escassez está sendo experimentada na maioria dos setores industriais. Ademanda em organizações relacionadas à tecnologia é extraordinariamente alta."
Além dos problemas demográficos, os locais de trabalho do Japão também são prejudicados pela ineficiência e hierarquias rígidas, que encorajam atitudes enraizadas.
Um estudo do Japan Institute for Labor Policy and Training descobriu que 60% dos trabalhadores se recusaram a tirar as férias previstas em 2016, alegando que isso "incomodaria seus colegas". Outros 53% disseram que não tinham chance de tirar folgas devido à sua pesada carga de trabalho.
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média japonesa foi de 1.713 horas de trabalho em 2016, superior à média de 1.363 horas na Alemanha, 1.472 horas na França e 1.676 horas no Reino Unido.
Morte por excesso de trabalho
Mas este número não leva em conta as horas extras não remuneradas de trabalho, uma prática aceita nas corporações japonesas e que provavelmente se tornou mais comum quando a economia nacional enfraqueceu e os funcionários ficaram com mais medo de demissão.
Nos 25 anos que se passaram desde a explosão da bolha econômica no Japão, longas jornadas, horas extras não remuneradas, férias mais curtas e menos regalias se tornaram norma nos locais de trabalho no país, com uma jornada de trabalho de 12 horas sendo considerada algo normal.
Tudo isso deu origem ao "karoshi", termo para a morte por excesso de trabalho, e acredita-se que seja um fator significativo para a diminuição da taxa de natalidade do Japão.
"O Japão costumava ser uma das nações com uma das maiores produções per capita do mundo, atingindo o pico na década de 1970, antes de começar a declinar na década de 1980", diz Makoto Watanabe, professor de comunicação e mídia na Universidade Hokkaido Bunkyo.
"Hoje, o Japão está em um momento crítico, e as decisões tomadas agora afetarão restaurantes e lojas, que podem ser obrigados a encurtar suas horas de funcionamento por falta de pessoal. As empresas japonesas poderão perder a competitividade no mercado global", prevê.

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