O Brasil ocupa a 65ª posição entre 70 economias avaliadas no IMD World Competitiveness Ranking (WCR) 2026, elaborado pelo Institute for Management Development (IMD) World Competitiveness Center (WCC) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O resultado mantém o maior país localizado na América do Sul entre os seis últimos colocados do Ranking Mundial de Competitividade 2026.
O IMD World Competitiveness Booklet 2026 é um relatório global que mede a capacidade da economia de criar e sustentar um ambiente favorável ao desempenho das empresas públicas e privadas do país, considerando quatro fatores principais: Desempenho Econômico, Eficiência Governamental, Eficiência Empresarial e Infraestrutura.
O WCR 2026 utiliza uma escala de 0 a 100 pontos, na qual quanto maior a pontuação, mais competitivo é o país avaliado. O índice é fundamentado em 336 subfatores, agrupados em quatro grandes fatores, que permitem mensurar de forma abrangente o nível de competitividade global da economia de um país.
De acordo com o IMD WCR 2026, o Brasil registrou sua pior colocação recente, recuando em relação à posição ocupada em 2025 (58ª posição). Apesar disso, o País apresentou avanço no fator Desempenho Econômico, passando da 48ª posição em 2022 para a 36ª colocação em 2026, refletindo melhorias em determinados indicadores macroeconômicos.
Entretanto, os resultados permanecem desfavoráveis nos fatores de Eficiência Governamental (69º lugar), Eficiência Empresarial (67º lugar) e Infraestrutura (61º lugar). O Brasil precisa melhorar nos seguintes subfatores, em Educação (66º lugar), em Arcabouço Social (67º lugar) e Produtividade e Eficiência (68º lugar) e, sobretudo, em Finanças Públicas (70º lugar).
Segundo o IMD WCC e a FDC, os principais indicadores econômicos e demográficos do Brasil apresentam o seguinte desempenho comparativo entre as 70 economias avaliadas, conforme o Quadro 1:
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Quadro 1: Principais indicadores econômicos e demográficos do Brasil |
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Indicador |
Valor |
Ano |
Posição* |
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Área territorial (milhões de km²) |
8,510 |
2025 |
4º |
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Taxa de câmbio (R$/US$) |
5,587 |
2025 |
sd** |
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População (milhões de hab.) |
213,42 |
2025 |
6º |
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PIB (US$ bilhões) |
2.273,0 |
2025 |
10º |
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PIB per capita ($ PPC***) |
23.374 |
2025 |
55º |
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Crescimento real do PIB (%) |
2,3 |
2025 |
36º |
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Inflação ao consumidor (%) |
5,02 |
2025 |
61º |
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Taxa de desemprego (%) |
5,60 |
2025 |
42º |
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Força de trabalho (milhões) |
109,72 |
2024 |
6º |
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Saldo em conta corrente (% do PIB) |
-3,04 |
2025 |
54º |
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Estoque de IED recebido (US$ bilhões) |
914,3 |
2024 |
12º |
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Fluxo de IED recebido (% do PIB) |
2,72 |
2024 |
24º |
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Fonte: IMD WCC e FDC. Notas: (*) posição entre 70 economias avaliadas; (**) sem dados; (***) paridade de poder de compra. |
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Os dados do IMD WCC e da FDC revelam um paradoxo recorrente da economia brasileira, embora o País figure entre as maiores economias do mundo em extensão territorial (4º lugar), população (6º lugar) e força de trabalho (6º lugar), ainda apresenta dificuldades para transformar essas vantagens estruturais em maiores níveis de renda, produtividade e competitividade internacional. Essa limitação é evidenciada pelo desempenho relativamente modesto em indicadores como o PIB per capita em PPC (55º lugar), o saldo em conta corrente (54º lugar) e a inflação ao consumidor (61º lugar).
Entre os subfatores de melhor desempenho do Brasil destacam-se: i) Capacidade de gerar empregos no longo prazo (5º lugar); ii) Subsídios governamentais (5º); iii) Participação de energias renováveis na matriz energética (5º); iv) Fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 7º lugar; e v) Atividade empreendedora em estágio inicial (8º).
Por outro lado, persistem fragilidades estruturais que comprometem a competitividade nacional, especialmente nos seguintes subfatores: i) Custo de capital (70º lugar); ii) Endividamento corporativo (70º); iii) Educação básica (70º); iv) Produtividade da força de trabalho (70º); v) Habilidades linguísticas (70º); e vi) Habilidades financeiras (70º).
Esses resultados sugerem que os principais desafios brasileiros estão relacionados à formação de capital humano, ao ambiente de negócios e à eficiência dos mecanismos de financiamento da atividade produtiva e, principalmente, a necessidade de aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D).
No Ranking Mundial de Competitividade 2026, o Brasil alcançou o 65˚ lugar com 40,15 pontos e ficou à frente de Botsuana (66º lugar); Mongólia (67º); Nigéria (68º); Namíbia (69º); e Venezuela (70º). Na outra extremidade do ranking global, as seis economias mais competitivas do mundo foram Singapura, com 100,00 pontos; Hong Kong (2º lugar); Suíça (3º); Taiwan (4º); Emirados Árabes Unidos (5º); e Dinamarca (6º).
Vale destacar também que Singapura, uma pequena cidade-Estado insular na Ásia, alcançou a 1ª colocação no Ranking Mundial de Competitividade 2026. Apesar de possuir recursos naturais limitados, o país é um dos quatro Tigres Asiáticos e construiu uma economia desenvolvida por meio de expressivos investimentos em educação de qualidade, inovação tecnológica, P&D, infraestrutura moderna e eficiência institucional, tornando-se uma referência mundial em competitividade.
Entre as economias das Américas avaliadas pelo Ranking Mundial de Competitividade 2026, os Estados Unidos destacam-se como o país mais competitivo do continente, e ocupando a 10ª posição global. O Canadá aparece em seguida, na 16ª colocação mundial e na segunda posição entre os países americanos, com 80,99 pontos. O Brasil ocupa a 65ª posição entre as 70 economias avaliadas, situando-se em 9º lugar entre os dez países das Américas incluídos no relatório. Na última colocação do ranking americano e do ranking global encontra-se a Venezuela, com 22,45 pontos.
O desempenho brasileiro no Ranking Mundial de Competitividade 2026 revela um contraste importante. Embora o País tenha apresentado avanços em indicadores econômicos específicos, permanece entre as economias menos competitivas do grupo analisado devido a deficiências persistentes em governança pública, ambiente empresarial, infraestrutura e capital humano.
Finalizando, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade da educação, à elevação da produtividade, à modernização da infraestrutura e ao fortalecimento da segurança institucional e regulatória. Tais fatores são amplamente reconhecidos como elementos essenciais para aumentar a competitividade das suas empresas e sustentar o crescimento econômico de longo prazo.
Luiz Alberto Machado - Economista, mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), ex-presidente do Corecon-SP e do Cofecon.
Paulo Galvão Júnior -Economista, com especialização em Gestão em Recursos Humanos pela FATEC Internacional, secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba.

