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Energias renováveis elevam resistência a crises do petróleo

Países que geram mais energia a partir de fontes eólicas, solares e outras renováveis ​​estão mais protegidos contra choques energéticos globais, dizem especialistas, à medida que o conflito no Oriente Médio abala os mercados globais.

A guerra se intensificou desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, em 28 de fevereiro. Infraestruturas críticas na região foram atacadas, e o risco de ataques iranianos praticamente paralisou o Estreito de Ormuz, via crucial que é usada para transportar cerca de 20% do petróleo e gás usados no mundo.

Com a interrupção fica mais difícil para que o combustível chegue a países que dependem dele para gerar eletricidade, aquecer residências, abastecer a indústria e operar o transporte. A consequente escassez de oferta está elevando preços de produtos em todo o mundo.

"A energia é a força vital das nossas sociedades e das nossas indústrias", ressalta Antony Froggatt, especialista em aviação, transporte marítimo e energia da ONG Transport & Environment, sediada em Bruxelas. "E ainda somos altamente dependentes de combustíveis fósseis."

O mundo ainda obtém cerca de 80% de sua energia primária de combustíveis fósseis, a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas. Em seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a dependência dos combustíveis fósseis , revogando regulamentações de energia verde e climáticas da era de Joe Biden que visavam reduzir as emissões.

Vulnerabilidade

"Essa dependência torna as economias e as sociedades vulneráveis ​​a choques geopolíticos", frisa Rana Adib, secretária-executiva do think tank Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século 21 (REN21), sediado em Paris.

 

Países com uma maior participação de energias renováveis ​​produzidas localmente na sua matriz energética são menos vulneráveis ​​a esses choques.

É verdade que tecnologias de energia verde, como turbinas eólicas, painéis solares e baterias – e as terras raras necessárias para sua fabricação – possuem cadeias de suprimentos globais, que também podem ser afetadas por tensões geopolíticas e interrupções comerciais, ma a energia de fontes renováveis ​​normalmente é produzida dentro das fronteiras nacionais.

"Depois que essas tecnologias chegam aos países, o combustível que passa a ser usado é o sol ou o vento locais", explica Adib. "E essa é uma das razões pelas quais a energia renovável, como solução para a produção de energia, é muito mais resiliente a choques globais."

Uruguai aposta em energia limpa

Após a crise financeira de 2008, a preocupação com a dependência das importações de petróleo e gás foi o que levou o Uruguai a apostar tudo em energias renováveis.

Duas décadas atrás, o pequeno país sul-americano, com uma população de 3,5 milhões de habitantes, embarcou num plano para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de sua matriz elétrica, expandindo rapidamente os parques eólicos.

Hoje, mais de 90% da eletricidade do país provém de fontes renováveis ​​– principalmente eólica, solarhidrelétrica e biocombustíveis. Essa parcela já chegou a 98% em alguns anos particularmente chuvosos e ventosos.

"O que nos mostra que uma rede elétrica 100% renovável é totalmente possível", diz Adib, acrescentando que o Uruguai conseguiu isso sem as enormes quantidades de armazenamento necessárias para os dias sem sol e sem vento.

Adib sublinha que a transição para energia verde ajudou a limitar a exposição do Uruguai às altas repentinas dos preços da energia. Durante a crise energética ligada à guerra na Ucrânia, os preços da energia no Uruguai permaneceram estáveis. "Isso é extremamente importante, porque assim a inflação não atinge esse país da mesma forma que um país que tem alta dependência da importação de combustíveis fósseis."

Adib diz que o investimento em energias renováveis ​​criou 50 mil empregos e permitiu ao país economizar 500 milhões de dólares (R$ 2,6 bilhões) por ano em custos de importação de energia.

Ainda assim, o Uruguai, como a maioria dos países, continua dependente de combustíveis fósseis para abastecer o transporte, operar seu setor industrial e aquecer residências. O país está em processo de eletrificação do transporte público e descarbonização da indústria, mas a eliminação completa da energia fóssil pode levar décadas.

 
 
 
 
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